quinta-feira, 29 de setembro de 2016

O emocionado discurso da menina de 9 anos que chamou a atenção do mundo para a tensão racial nos EUA


Uma menina negra de nove anos roubou a cena em uma assembleia, que tinha na plateia a prefeita Jennifer Roberts e o chefe local de polícia, Kerr Putney, no Estado americano da Carolina do Norte, na noite de segunda-feira.

Zianna Oliphant interrompeu, com fala improvisada, assembleia na cidade de Charlotte, palco de violentos protestos por causa da morte de homem negro por policial.



Sua intervenção ocorreu depois de um acalorado debate, no qual moradores pediram a renúncia de ambos.

A reunião fora convocada para tentar acalmar os ânimos em Charlotte, que foi palco de violentos protestos depois da morte de um homem negro, Keith Lamont Scott, por um policial negro, na semana passada.


"Somos pessoas negras e não deveríamos ter que sentir este tipo de coisa", declarou a menina, entre lágrimas.

"Não deveríamos protestar, por que vocês nos tratam mal. Fazemos isso, por que precisamos e não temos direito. Nasci e cresci em Charlotte e até agora, nunca tinha me sentido desse jeito. Não consigo suportar a maneira como somos tratados. É uma vergonha que matem nossos pais e que não possamos mais vê-los. É uma vergonha que tenhamos que ir ao cemitério para enterra-los. Temos lágrimas, mas não deveríamos estar chorando... precisamos que nossos pais e mães estejam ao nosso lado..."


A mãe de Zianna, Precious, disse que o discurso não tinha sido planejado.

"Tudo o que queremos são direitos iguais. Queremos ser tratados da mesma maneira que outras pessoas", disse Zianna em entrevista à rede NBC no dia seguinte à assembleia.

"Eu estava nervosa e decidi pedir a palavra e dizer às pessoas o que sentia", disse a menina.


O vídeo de seu discurso viralizou rapidamente, com celebridades e veículos de imprensa compartilhando o material.

Colin Kaepernick, jogador de futebol americano que tem despertado polêmica por protestar contra a violência policial se recusando a levantar durante a execução do hino americano antes dos jogos, compartilhou o vídeo em sua conta no Instagram.

"Eu não tenho palavras para descrever o quão doloroso é assistir a isso", escreveu Kaepernick.






http://www.bbc.com/portuguese/internacional-37513269?SThisFB

Ambivalências




Nenhum de nós é pura luz.  

Nessa nossa natureza humana, o excesso de luz cega, por isso, convivemos com nossa ambivalências e temos que administrá-las.


Não sei amar, mas tento praticá-lo.

Não sei perdoar, mas todos os dias tenho oportunidades de exercer-lo. 

Não sei ser bom, e a vida me enche de chances para que eu seja.


Não sou humilde, mas seria tolo se não admitisse que a falta de humildade mata; por isso exercito-a.

Não sou essencialmente grato, e então presto atenção na vida e encontro milhões de razões para ser.

Quando me enxergo, vejo o que não gostaria de ver. 


Quando me sinto mais do que sou, minha natureza me chama de volta e, seja pelas acentuações de dores, o instalar-se de desconfortos, o revelar de ambiguidades, sou obrigado a reconhecer que nesse corpo frágil, de pele, carne, osso e sangue, somos todos aprendizes, expostos ao Mistério, intocável, incontível, inexorável, inacessível por completo, no entanto, presente, visível, viável em mim.


Assim somos nós, seres improváveis, contraditórios, luz pontuada pela escuridão, carregando as alegrias de ser e as dores de existir, convivendo com o agora e o ainda não, finitos, mortais, perecíveis enquanto algo lateja lá dentro dizendo que não termina aqui, que não somos só isso, que estamos fora de casa.


Flavio Siqueira







terça-feira, 27 de setembro de 2016

SOMOS HERDEIROS DE ESTRELAS MORTAS



"A vida é incrível. Os momentos que vivemos, as amizades que cultivamos e as experiências pelas quais passamos. Tudo é simplesmente maravilhoso, pela mera existência.

A morte é inevitável, todos sabemos. 

Admitir isso, aliás, é de doer. É de sentir saudade de tudo o que já se foi e de tudo o que ainda irá ser, antes do tempo das coisas acontecerem.


Porém, mais que admitir a morte, podemos admitir a morte em escala universal. 

Nessa hipótese, tudo, tudo mesmo, irá apagar. Como as estrelas que, ingenuamente, acreditamos serem eternas por olharmos para elas e as vermos sempre lá, nos céus. 

Mas não conseguimos, nessa rápida vislumbrada, perceber que, assim como o universo teve um início, ele terá fim. E a escuridão reinará.


Contudo, ainda não há certeza de que tudo acabará. A morte muitas vezes apenas encerra um ciclo, dando origem a outro. 

E nesse sentido há teorias que apostam na originação de outro universo a partir deste no qual vivemos, um renascimento que dará certa continuidade à vida que usufruímos neste instante.


E também é uma forma de renascimento o que ocorre com as estrelas que morrem em nosso universo,  como demonstra a astrônoma Michelle Thaller ao explicar, neste vídeo, como os átomos que compõem os nossos corpos foram formados no interior de estrelas, no momento em que morrem:





O Éden é no aqui e no agora. O paraíso é, em escala intergaláctica, o que estamos vivendo neste breve período de tempo que podemos chamar de vida humana. 

Os antigos supunham que havíamos mordido o fruto proibido que nos traz a consciência, mas sabemos hoje que tal mordida é constante e decorre do simples ato de amarmos a própria vida enquanto, ao mesmo tempo, suspeitamos que a morte pode ser a conclusão de todas as coisas.


Então desfrute do fruto proibido. Delicie-se amando sua vida e progredindo em constantes explosões de microuniversos em seu corpo físico.

Você sabe que seu combustível vital uma hora irá acabar, mas isso não é desculpa para você não tentar fazer da realidade o campo dos seus sonhos.


Como me disse o Victor Lisboa quando eu estava escrevendo este artigo, “somos feitos da matéria de estrelas mortas, e portanto temos o dever de iluminar com nossas vidas tudo o que nos cerca, para que de certa forma sejamos estrelas ao nosso jeito, e assim possamos fazer jus à nossa descendência.” E como afirmou C. G. Jung, “até onde podemos discernir, o único propósito da vida humana é acender uma luz de significado nas trevas do mero existir.”


Viva e deixe morrer. E jamais esqueça que, assim como você é o resultado da morte de uma estrela, há grandes chances da sua morte gerar algo tão complexo e incrível quanto você."

Texto: Alysson Augusto










Fonte:http://ano-zero.com/somos-herdeiros-estrelas/


*Nossos agradecimentos à Lazully Blue/Cecy, pela sugestão de postagem



sábado, 24 de setembro de 2016

"OS DEUSES ESTÃO DENTRO DE NÓS, NÃO ESTÃO FECHADOS NOS TEMPLOS" - Arun Gandhi




Só pelo sobrenome, Arun Gandhi dispensaria apresentações. Aos 82 anos, o neto de Mahatma Gandhi dedica-se a manter viva a cultura de paz e o conceito de não violência que seu avô espalhou pelo mundo no início do século passado. Foi diretamente com ele que o pacifista aprendeu a ser um “fazendeiro da paz”, como se define. 

"Me vejo como um “fazendeiro da paz”. Eu saio para o campo, germino minhas sementes e espero um dia ter uma boa plantação de pacificadores. Eu não posso mudar as pessoas e fazer com que elas acreditem no que eu acredito. Isso é com cada um. Eu não posso forçar ninguém a mudar. Ninguém pode. Tem que vir de dentro."


Ativista político atuante em causas humanitárias, o sul-africano Arun Gandhi nascido em 1934 vivenciou na juventude a era de preconceito e ódio do apartheid. Entre os 12 e os 14 anos, viveu com o avô na África do Sul , até o assassinato de Gandhi por um fanático hinduísta, em 1948.

Crescendo sob as leis discriminatórias apartheid da África do Sul, ele foi espancado por "brancos" sul-africanos por ser muito negro e por negros sul-africanos por ser muito branco. Assim, Arun procurou a justiça de olho-por-olho. No entanto, ele aprendeu com seus pais e avós que Justiça não significa vingança, significa transformar o oponente através do amor e do sofrimento. 

Em 1987, quando se mudou para os Estados Unidos com a esposa, fundou o "Instituto MK. Gandhi para a Vida Sem Violência" para dar continuidade aos ensinamentos de Mahatma Gandhi. 

Arun  e sua esposa Sunanda (morta em 2007)  viveram e trabalharam na Índia e durante 30 anos. Arun foi jornalista do The Times of India. Juntos iniciaram projetos para a elevação social e econômica dos oprimidos usando como espinha dorsal a filosofia de Gandhi de não-violência. 

Os programas mudaram a vida de mais de meio milhão de pessoas em mais de 300 aldeias e ainda continuam a crescer. 

Apesar de ser autor de vários livros, compartilha do que o avô dizia sobre não escrever sua filosofia: lições eternizadas num papel viram dogmas e dogmas abrem espaço para fanatismo. 



"Religião não é trazer paz. É explorar as pessoas. Não é uma coisa boa. Temos que ter maior entendimento sobre nossas crenças. É um dos maiores problemas hoje em dia."

Arun Gandhi segue os preceitos que aprendeu durante a convivência com um dos maiores pacifistas de nosso tempo e ressalta que a construção de um cotidiano sem violência deve partir de cada um. 

“Os deuses estão dentro de nós, não estão fechados nos templos. Não adianta praticarmos a paz apenas dentro das igrejas. O meu avô acreditava que a religião mais verdadeira sempre foi servir aos pobres”, afirma.


Arun acredita numa espiritualidade longe das religiões, onde cada um possa encontrar dentro de si, o verdadeiro sentindo do amor divino.

"As escrituras das religiões, por exemplo, foram escritas milhares de anos atrás. E nós lemos aquilo e achamos que são verdadeiras ainda hoje. E na verdade não são totalmente verdade hoje. As circunstâncias mudam, a história muda, as pessoas mudam e as filosofias também precisam mudar junto com elas. As pessoas que hoje estudam filosofias deveriam interpretá-las e fazer com que sejam aplicáveis hoje."

Sereno, o neto de Gandhi sempre levantou temas sociais importantes. 


"Uma das coisas que digo é que o jeito mais fácil de matar uma filosofia é escrevê-la. No momento em que ela é colocada num livro, ela vira um dogma. A filosofia precisa ser relevante para o hoje. Então o que meu avô escreveu 50 anos atrás era para aquela circunstância e aquele tempo, não necessariamente para hoje. Precisamos aprender a mudar e pegar a essência do que ele diz e a essência é de que deve haver mais respeito e compreensão entre as pessoas."

Arun Ghandi sempre reafirma que cada um deve buscar continuamente a verdade dentro de si. 


Os pais seriam os primeiros a plantar essas sementes nos filhos. “Eu cresci em uma família em que acreditávamos na não violência dentro e fora de casa. O meu avô sempre dizia que a nossa mente deve ser como um quarto de janelas abertas, deixando a brisa entrar, mas sem se deixar levar por essas brisas. Temos de lembrar que a paz não é inerte, é o trabalho corajoso de quem faz despertar uma nova consciência nos homens”, ensina.

Arun é o maior divulgador da filosofia do avô e comanda um instituto de educação pela não violência na Índia. Gandhi acreditava que era impossível tentar transformar a sociedade antes de transformar a si mesmo.


“É preciso mudar individualmente os nossos próprios pensamentos e atitudes e, depois, expandir para os nossos familiares e a outras pessoas que convivemos”, detalha Arun. 

Em relação ao sistema educacional, ele pondera que, atualmente, as crianças aprendem apenas sobre dinheiro e carreira:


"Atualmente as crianças só aprendem a ganhar dinheiro e ter uma carreira. Isso não é o bastante. Elas têm de aprender sobre relacionamento, caráter, valores. Com isso, a educação estaria completa. Precisamos ensiná-las sobre a vida, sobre elas mesmas e como elas podem se tornar pessoas melhores. O modo como disciplinamos as crianças também está errado. Plantamos as sementes da violência nelas quando as punimos por algo que fizeram de errado. Isso vai lhes dar a ideia de que qualquer pessoa que faz algo errado precisa ser punida. Na não-violência, substituímos os castigos pelas penitências. Eu não era punido quando fazíamos algo errado. Meus pais jejuavam por um ou dois dias e me explicavam que não estavam comendo porque falharam em minha educação. Desse modo eles me mostravam o amor, não a violência. "



O neto de Gandhi afirma, ainda, que: "As religiões não cumprem os próprios princípios que pregam e acabam por gerar mais ódio e conflito, no lugar de promover paz e felicidade." 

Em sua experiência pessoal, Arun se manteve distante das religiões dogmáticas, embora o seu avô Gandhi tenha seguido o hinduísmo, tendo uma vida marcada pela fé.

Escritor, hoje ele viaja pelo mundo palestrando sobre questões como educação, inclusão e violência.







Baseado nas seguintes fontes:
http://www.metropoles.com/vida-e-estilo/comportamento/religiao-e-para-explorar-pessoas-diz-neto-de-gandhi-ao-metropoles
http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/cidades/2016/09/23/interna_cidadesdf,550047/neto-de-gandhi-o-sul-africano-arun-participa-de-encontro-em-brasilia.shtml
http://www.triada.com.br/espiritualidade/fe_oriental/aq173-201-915-3-mahatma-gandhi-a-vida-do-mito.html